Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri

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AS SIBILAS DOS PANOS QUARESMAIS DE DIAMANTINA

Projeto de pesquisa

Período
2017
Resumo
Como desdobramento da investigação que levei a cabo no doutorado, tenho me dedicado há alguns anos a pesquisar sobre a representação das sibilas em Diamantina, Minas Gerais. Ali existem as únicas representações desse tipo na América portuguesa. Além da intrigante raridade da representação no universo português em si, chama a atenção a exclusividade da existência da mesma em véus quaresmais ou véus da paixão. Véus e sibilas comportam a dialética entre velar e desvelar. As sibilas, figuras que fazem o elo entre o profano e o sagrado, o humano e o transcendente, desvelam o futuro de forma velada pela linguagem misteriosa. Um futuro terrível que se quer saber e não se quer ver ao mesmo tempo. Abrem uma janela pictural na transparência fingida das telas opacas. Escondem a beleza provocando a curiosidade e o desejo do olhar, enquanto oferecem a posse deleitosa de outra beleza a ela sobreposta. A dialética entre real e virtual, revelação e ocultação, fascínio e horror, desejo e proibição, transparência e opacidade, ignorância e conhecimento, conservam-se nestes dois elementos da cultura, imanentes ao ser humano, confinantes e imediatos, somente em Diamantina. Paradoxo e ambiguidade permanecem como traços ontológicos tanto dos véus como objetos de significado e dimensão humana, quanto nas sibilas, um mito universal. Este projeto pretende desvelar o significado histórico desses objetos únicos no mundo cristão: os panos quaresmais com sibilas de Diamantina.

Coordenador